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E
A IGREJA,
VAI BEM?
DIVISÕES
NA IGREJA
I
CORÍNTIOS 1.10-17 e 3.1-9
“Sua igreja vai bem?”
Esta pergunta simples e corriqueira é, na verdade, de difícil
resposta. Para uns a igreja nunca vai bem. Para outros ela nunca vai mal.
Na verdade, igreja perfeita só mesmo a triunfante, pois todas as
que ainda militam na vida presente, enfrentam problemas, crises e contratempos
que servem para o amadurecimento e o despertamento de líderes e
do povo de Deus. Assim sendo, uma das questões mais desestabilizadoras
e visivelmente presente nas igrejas hoje, e que certamente precisa de
reflexão e orientação para a sua superação
é a divisão.
Igrejas divididas, faccionadas, cheias de grupinhos, de partidos e sub-partidos,
é de fácil percepção nos dias atuais. Os motivos
para as dissidências e intriga são os mais variados. Pode-se
citar alguns exemplos: forma de liturgia (tradicionais x renovadores),
confronto de gerações (idosos x moços), liderança
eclesiástica (satisfeitos x insatisfeitos), e muitos outros mais.
É bom dizer, logo de início, que não há nada
de errado com opiniões divergentes ou com diversidade na igreja.
A diversidade é positiva na vida da igreja, a divisão é
negativa.
Jesus adverte: “Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal
reino não pode subsistir”.
CONTEXTUALIZAÇÃO
Quando lemos a carta de Paulo aos Coríntios, um dos primeiros problemas
verificados são as divisões e partidos presentes naquela
igreja. “Pois a vosso respeito, meus irmãos, fui informado
de que há contendas entre vós. Refiro-me ao fato de cada
um de vós dizer: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas,
e eu de Cristo. Acaso Cristo está dividido?” (1.11-13).
O teólogo B.P.Bittencourt afirma que Paulo começa sua carta
tratando deste problema criado pela longa ausência do pastor. E
que se cristalizou em grupos bem definidos:
a) Grupo de Paulo: Era o grupo dos gentios. Paulo pregava o fim da Lei
e a liberdade cristã. Provavelmente este partido degenerou sua
pregação para outros fins.
b) Grupo de Apolo: Ele era um judeu cristão de Alexandria (centro
intelectual e filosófico). Os de Apolo estavam fazendo do cristianismo
simplesmente filosofia de vida intelectualizada pelos debates retóricos.
c) Grupo de Cefas: Era o nome judaico de Pedro. Eram Judeus com um profundo
apego legalista que é também visto na carta aos Gálatas.
d) Grupo de Cristo: O grande defeito deste grupo não esta em dizer
que pertenciam a Cristo, mas em agir como se Cristo pertencesse a eles.
Ao contemplar tão grande confusão sob a tutela dos partidos,
o Apóstolo Paulo faz um apela à igreja de Corinto: “Irmãos,
peço que estejam de acordo no que dizem, e que não haja
divisões entre vocês”. A igreja estava se desintegrando
em fragmentos fracos e inimigos entre si.
1
– DIVISÕES: Expressão de Nulidade da Cruz de Cristo
O Evangelho de Cristo é um Evangelho que promove unidade e não
dissensões. Infelizmente, muitas igrejas vivem atualmente o drama
que a igreja de Corinto vivenciava naqueles tempos: o drama da divisão.
O apóstolo Paulo ao tomar ciência das dificuldades reinantes
naquela comunidade faz uma indagação: “Acaso Cristo
está dividido?” (1.13).
Onde há a presença reinante da divisão, dos partidos,
há também fortes indícios de que a cruz de Cristo
está anulada. Vemos atualmente igrejas se dividindo por causa de
pessoas que se acham no direito de ser protagonistas centrais do Evangelho.
“Onde está a cruz de Cristo?”. Vemos grupos criando
inimizades nas igrejas por questões tão pequenas para a
essencialidade do Evangelho. “Onde está a cruz de Cristo?”
Essa cruz que promove a unidade, que derruba a parede da inimizade, criando
o vínculo da paz, onde está? Paulo afirma: “Porque
ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e tendo derrubado a
parede da separação que estava no meio, a inimizade, aboliu
na sua carne a lei...e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus
por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade” (Ef
2.14-16; Fp 3.17-18).
2
– DIVISÕES: Evidência de Uma Igreja Carnal
Uma segunda realidade que o texto salienta sobre o problema da divisão
na igreja de Cristo, é a evidência de uma igreja carnal.
O Apóstolo Paulo denuncia esta questão. A igreja de Corinto
tinha inúmeros dons em operosidade, tinha fama de espiritual, de
carismática, mas estes irmãos são identificados por
Paulo como crianças espirituais e crentes carnais, impossibilitados
de alimento sólido (3.1-3).
Ao escrever sua carta aos Gálatas, Paulo distingue com clareza
o que é fruto da presença do Espírito e o que é
resultado da presença da carnalidade na igreja (Gl 5.19-23). Muitas
igrejas estão confusas, atualmente, com a pregação
de falsos avivamentos e de doutrinas inovadoras dos nossos dias. As divisões
e cismas presentes nestes movimentos não são expostos como
fruto do Espírito, mas como obra da carne, segundo a Palavra de
Deus.
Em Atos dos Apóstolos vemos a igreja Cristã iniciante, cheia
da presença do Espírito, evidenciando às pessoas
o amor de Deus, a comunhão,alegria, a singeleza de coração,
mas acima de tudo a unidade de propósito e de serviço (At
2.42-47; 9.31). Quando as divisões impedem a existência desse
ambiente, fica evidente a carnalidade da igreja.
3
– DIVISÕES: Empecilho para o Desenvolvimento da Obra
Uma outra importante realidade que precisa ser enfatizada é que
a divisão se torna empecilho para o desenvolvimento da obra. Queremos
lembrar que a divisão é uma realidade negativa, enquanto
a diversidade de serviços e funções é tremendamente
positiva na obra. Aqueles crentes de Corinto estavam contendendo pelos
líderes que mais agradavam. Quem seria o melhor? Quem fez a igreja
crescer mais? Paulo, Apolo, Cefas? A carnalidade daqueles irmãos
fazia aflorar o sentimento partidarista e impedira que eles vissem a obra
como um todo, e Paulo, Apolo e Cefas como co-participantes desta obra.
Paulo elucida este posicionamento distorcido afirmando: “Quem é
Apolo? E quem é Paulo? Servos por meio de quem crestes, e isto
conforme o Senhor concedeu a cada um. Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento
veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma cousa, nem
o que rega, mas Deus que dá o crescimento. Ora, o que planta e
o que rega são um” (3.6-8).
O Senhor Jesus, quando acusado pelos religiosos de seus dias de “expulsar
os demônios pelo poder do maioral dos demônios”,afirmou:
”Um reino dividido contra si mesmo não pode subsistir”.
Se a divisão é um empecilho que estorva e atrapalha o desenvolvimento
e o progresso do Evangelho, a diversidade neste aspecto é positiva.
Paulo mesmo afirma: “Eu plantei, Apolo regou”. A obra é
uma só. Contudo, as diversas maneiras de realizá-la tornam-na
mais abrangente. Um planta, outro rega, outro colhe. Para Paulo isto estava
bem claro no exemplo de I Coríntios 12.12-31. Diz Paulo: “Porque,
assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros,
sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito
a Cristo...para que não haja divisão no corpo; pelo contrário,
cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros”.
4 – DIVISÕES: Eliminação do Sentimento de Comunhão
Até agora, pudemos perceber o prejuízo da divisão
na igreja, no que concerne ao testemunho da cruz de Cristo, na espiritualidade
e no desenvolvimento da obra. Contudo, o maior prejuízo, está
ligado aos relacionamentos entre os irmãos em Cristo. O sentimento
partidarista promove rupturas relacionais motivadas por inimizades. Como
é possível estarem duas pessoas ligadas ao mesmo Deus e
inimigas? O profeta Amós escreveu: “Andarão dois juntos
se não houver entre eles acordo?” (Am 3.3). Como é
posssivel duas pessoas afirmarem viver no amor de Deus e se odiarem? O
apóstolo João orienta: “Se alguém disser: Amo
a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que
não ama a seu irmão a quem vê, não pode amar
a Deus, a quem não vê”. Como é possível
duas pessoas louvar a Deus, cantar ao seu Santo nome, se estão
em desacordo? O Senhor Jesus afirmou: “Se, pois, ao trazeres ao
altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma
cousa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te
com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta”
(Mt 5.23-24).
A igreja precisa resgatar a sua identidade de comunidade unida, de um
grupo de pessoas que irmanadas na cruz de Cristo, trabalham, se motivam
mutuamente e se doam ao próximo.
DISCUSSÃO
1-Quais as principais causas de divisão na sua igreja e como a
questão deve ser tratada?
2-Como preservar a unidade diante de tantas diversidades?
3-Como você analisa o relacionamento de aproximações
e afinidades entre as várias igrejas?
Fonte: Estudos Bíblicos Didaquê no. XXIX
07-02-2009
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